POESIAS: ALDALÉIA AQUINO
Deserto...
Solidão...
Saudade!
Chorar, só alivia.
Quero gritar,
correr,
voar, voar,
e alcançar todos vocês,
esvaziar o meu peito,
dessa coisa que dói,
dói,
machuca,
que quase está enlouquecendo-me.
Não aguento mais calar o meu grito!
Quero sobreviver,
alimentando a minha alma,
o meu coração,
com a curtição de vocês,
o carinho de vocês,
o calor de vocês,
minhas filhas,
meus netos,
meus genros,
meus irmãos,
minha família!
Decididamente,
não tem outro jeito,
vocês são tudo pra mim!
Pronto!
Falei!
14.06.2020
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... e estou chegando até aqui!
Caminhada longa,
tortuosa,
com tropeços,
dissabores e arranhões...
e também com vitórias!
Embrenhei-me nas entranhas
de matas densas
e de montanhas íngremes,
desbravando estradas,
veredas
e vales...
Ultrapassei cercas de arame farpado,
de mãos dadas
com a ilusão e o real.
Voei,
voei por sobre o oceano dos sonhos,
do ideal,
do amor,
da vida,
muitas vezes
com as asas feridas...
Corri,
saltei,
gritei,
chorei,
quase morri,
debatendo-me contra os espinhos
das incertezas,
do obscuro,
das decepções,
do desamor...
Mas também sorri,
gargalhei,
cantei,
chorei de emoção,
quando pari!
O orgasmo da maternidade
ficou incrustado
no meu coração de mãe!
E descobri que,
na vida,
é a luta diária
o que nos faz fortes,
resistentes,
corajosos
e vitoriosos.
Descobri, ainda,
que a minha companhia de mim mesma
ensinou-me a perscrutar
a voz das estrelas,
no silêncio das noites ,
o gorjeio dos pássaros,
de galho em galho,
o desfile dos gatos no muro,
e a melodia do vento,
acordando o tempo...
E colhi as mais belas flores,
mesmo no meio das chuvas,
dos relâmpagos
e trovões,
nessa minha travessia...
E vi também
que a FELICIDADE existe,
sim,
às vezes nos seus esconderijos,
bem perto de nós,
ou,
em nós!
A infância com meus pais,
meus irmãos,
e colegas da escola,
até mesmo da Faculdade,
do emprego,
tudo isso tem sabor doce,
cor de Rosa,
e de muita saudade!
O abraço carinhoso dos meus filhos,
sua expressão de amor,
o beijo gostoso dos meus netos,
seus olhinhos inocentes brilhando
e iluminando a minha alma,
meu Deus,
não têm preço,
é tudo o que tenho
de melhor!
Uma riqueza!
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Caminhei até aqui,
ora correndo,
ora a passos lentos,
pensativa,
absorvendo o perfume da vida,
a essência dos seus mistérios,
garimpando toda a beleza
que é a minha existência!
Agradeço às minhas filhas,
aos meus genros,
à minha família
e aos meus amigos,
que têm caminhado comigo!
Hoje,
já abraçando o outono da minha vida,
de 80 anos,
minha palavra é de gratidão ao meu Deus,
que sempre acariciou as paredes da minha alma,
com Sua bondade,
amor
e fortaleza!
Gostaria de ir bem mais longe, quem sabe, ao centenário,
com todas as pessoas que tanto amo!
Creio que Ele haverá de me escutar!
Obrigada, Papai do Céu,
pela minha juventude octogenária,
e feliz!
Sim, sou uma jovem
muito feliz e realizada!
Obrigada, meu Deus,
pelo amor!
Obrigada, pela vida!
Aldaléia Aquino
20.09.2020
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Abre as janelas
do teu coração,
escancara a tua alma!
Toma um fôlego,
nas entrelinhas do desconhecido
e saboreia os teus enlevos espirituais...
Escuta o silêncio do tempo,
no decorrer dos dias...
Não tenhas medo dos arroubos que,
às vezes,
te surpreendem
e te sacodem!
Nas tormentas
e nas calmarias,
o equilíbrio!
E cresce,
mesmo emaranhando-te
nos fios do destino...
Busca,
caminha,
vai!
Não te feches em círculo,
e tenta,
no trapézio verde da esperança,
a reta segura
do otimismo,
do real!
Vasculha o bom
e o belo,
nesse teu poço secreto...
E, de mãos dadas,
celebra a reciprocidade
do amor!!!
Aldaléia Aquino
12.09.2020
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Neste voo mágico,
tênue e afoito,
ao mesmo tempo,
rasgando o cerne de mim,
do mais recôndito de mim,
rompendo minha clausura espiritual,
numa simbiose
de tempestade e bonança,
e também de saudade,
eu me encontro comigo!
E mergulho tranquila
no lago dos meus sonhos,
burilando minhas emoções,
refugiando-me na esperança da luz...
Nesse pouso na relva do real,
tenho o resgate de mim mesma!
E o meu horizonte ao longe,
bem longe,
sorri-me...
A fumaça esvai-se no ar,
desenhando,
na sua fragilidade,
a silhueta sinuosa
e reta do destino...
Nesse pouso eu repouso,
cochilo,
quase adormeço,
saboreando,
num verdadeiro alvoroço místico, meus pensamentos
e desejos de adolescente octogenária.
E descortino lá no fim,
bem no fim mesmo,
um túnel com nuvens e arco-íris,
o meu refúgio,
a felicidade plena,
sem rótulos,,
sem vírgulas e sem máscaras...
É o Encontro do AMOR!
ALDALEIA AQUINO
16.09.2020-madrugada
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Eu não quero te amar,
tampouco que me ames.
A barreira do impossível
corta as minhas asas
e limita o meu voo.
E mostra-me a cara do real,
e que o amor não sobrevive sozinho.
E agora, perambular pelas ruas
do tempo,
sufocando esse sentimento
tão lindo,
que me chegou de repente,
alojou-se dentro de mim,
mas que me diz,
a todo momento,
que jamais seremos um do outro!
Fazer o quê?
(Aldaléia Aquino)
08.08.2015- 12.15h
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A silhueta do tempo,
no requebrado do anoitecer
e do amanhecer,
o farfalhar das árvores ,
ao som da orquestra do vento em noite silenciosa e fria...
Alma sedenta de paz,
de aconchego,
de luz,
de um abraço,
quem sabe,
de um beijo,
cavalgando na estrada da solidão, ,
da saudade,
da busca de um amor
que pairou longe,
muito longe,
e, como nuvem flutuante,
perdeu-se,
nas ruas do silêncio,
com cara de
infinito,
com cara de quê?
Aldaléia Aquino
(madrugada de 28.12.2023).
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Tem uma coisinha aqui dentro de mim,
escondida em algum lugar,
que não sei onde é,
ou o que é,
e que chora baixinho,
mas querendo gritar,
abrir o berreiro,
mostrando ao mundo,
esse mundo conturbado,
em meio a tanta dor,
tanto sofrimento,
tantos desmandos,
algo que já não cabe dentro de mim...
E eu paro,
diante de mim mesma,
no silêncio desta noite,
mergulhada em interrogações...
Por quê?
Por que tudo ficou assim?
Tanto desamor?
Tantas brigas?
Tantos insultos?
É como se o amor se escondera além dos limites da vida,
dando lugar ao ódio,
à destruição,
quiçá, à morte!
O homem despiu-se de toda a sua essência divina,
pois viemos de Deus,
e embrenhou-se
nessa busca gananciosa e
demoníaca do poder,
da riqueza,
uma riqueza que o torna
escravo das duas ambições desmedidas,
tornando-se cada vez mais pobre,
mais selvagem,
até cruel,
e menos humano!
Será que vale a pena?
Aldaléia Aquino
1°/junho/2020
(madrugada)
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Eu não sou velha!
Sou idosa!
E quero caminhar ainda por muitos anos!
Tenho muitos amores, pois minha família é linda e maravilhosa, a minha força para sonhar, amar, lutar, viver!
Minha alma não criou rugas com as curvas do tempo!
Estou aqui, firme e forte, com o olhar no horizonte que, eu sei, tem reservado pra mim, em outro patamar, também feliz e iluminado!
E chegarei lá, segurando na mão de Deus!
Aldaleia Aquino
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O meu sono fugiu, nn sei pra onde.
E eu, se pudesse, neste exato momento,sairia por aí, perambulando nas ruas dessa Fortaleza linda,saboreando as belezas da noite, indo me sentar na areia da praia e escutar o mar, ver as estrelas no céu ( mas nas cidades grandes elas se escondem), ficar ali quietinha, paradinha, talvez num enconto maravilhoso, diferente, com Ele. Ele está comigo em qualquer lugar, eu sei. Ele me fala a todo instante, através dos acontecimeentos da minha vida, da minha pequena Maria Luíza, que ressona aqui ao meu lado, até do barulhinho do meu ventilador.
Mas eu queria sentir o abraço
da noite, o beijo do vento no meu rosto , podia até ter umas pequenas neblinas, eu gosto.
Entretanto, eu talvez nem amanheceria viva, tamanha a violência do nosso país.
É só sonhar. Sonhar com uma coisinha tão simples, meu Deus! Kkkkkkkkkk
E o danado do sono nn chega.
Vou ter que o esperar.
Fazer o quê?
Érica Alg Aldira Araujo Yeline Falcão Maia Costa Evanilde Pedreira Rita Seba Artur Costa Vicente Aquino Hermosa Vidal Chico Paiva Salviano Lucas Gurgel
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Eu não quero te amar,
tampouco que me ames.
A barreira do impossível
corta as minhas asas
e limita o meu voo.
E mostra-me a cara do real,
e que o amor não sobrevive
sozinho.
E agora, perambular pelas ruas
do tempo, sufocando esse sentimento
tão lindo,
que me chegou de repente,
alojou-se dentro de mim,
mas que me diz,
a todo momento,
que jamais seremos
um do outro!
Fazer o quê?
(Aldaléia Aquino)
08.08.2015- 12.15h
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De repente,
sem máscaras,
sem rugas,
alma desnuda,
caminhar mais lento,
pensamentos sem cor,
sem brilho,
sabor cítrico dos conflitos íntimos,
dos questionamentos,
o vai e vem embaralhado,
ou mesmo suave da rotina,
com suas vírgulas,
interrogações e também exclamações!
Tempestades
e trovoadas,
até relâmpagos...
Alma em cio,
coração machucado,
mente conturbada,
sonhos enclausurados!
Lembranças vivas, brilhantes ou
obscuras...
Paradoxo!
Vislumbre de um lindo amanhecer!
Desejos,
saudades,
fervilhão espiritual ou
serenidade e
calmaria...
Uma mistura
de luz e sombra,
alegria e dor,
ida e vinda,,
ansiedade e paz,
sonambulismo junto à fragilidade
pela espera do
entardecer,
do ponto final!
É assim a vida!
04.03.2025
(madrugada)
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GRATIDÃO
Aldaléia Aquino
Alvoroço das lembranças,
da saudade,
do medo!
Buscas sem rumo...
O tempo voa célere,
sem piedade!
Os detalhes tatuados na alma
estão intactos...
Os meus sonhos teimam em existir.
Grito embargado no peito,
em meio à solidão.
Por que é assim?
Não sei!
Turbilhão de emoções,
vontade de voar,
voar o mais alto possível,
abrir as asas em toda a sua extensão.
Mas elas estão feridas,
machucadas,
sem força...
Um aperto na garganta,
bem sufocante,
sufocante mesmo,
pela fatal
inexorabilidade do Tempo!
Aí vem a
GRATIDÃO,
GRATIDAO,
GRATIDÃO!
05.03.2025
(madrugada)
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VISÃO
Aldaléia Aquino
Visão horizontal,
vertical,
diagonal
ou certeira do universo.
Sonhos e desejos sem rótulos.
Vulnerabilidade de sentimentos.
Entranhas da alma em chamas,
em grito,
em desalinho.
Pensamentos acelerados,
confusos...
A flor silvestre,
mar revolto,
colibri buscando abrigo
nas asas da ilusão.
Amplitude do tempo,
céu aberto,
liberdade!
Refúgio na esperança,
no amor.
Barquinho à deriva,
sem bússola,
sem norte,
ondas turbulentas...
Céu,
vento e
sol.
Busca de mim mesma.
Sequelas da dor espiritual,
das lágrimas sofridas...
Arco-íris emoldurando o espaço.
Estrela piscando,
falando baixinho,
contando um segredo...
Um labirinto misterioso!
Tudo passou,
passou e não volta mais!
Mas estou viva,
bem viva,
saboreando a beleza deste meu outono
para uma vida feliz!
É isso,
isso mesmo,
um entardecer feliz!
05.03.2025
(madrugada)
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A LÁGRIMA
Aldaléia Aquino
Uma lágrima quente e doída
Rolou no meu rosto enrubescido,
Lavando-me a alma
Espezinhada e
sofrida
Pela dor terrível de te perder
Ou não te possuir pra mim.
Os beijos que me deste em silêncio,
Mesclados de desejo e de ansiedade,
Deixaram-me num mundo de saudade,
Numa dorida solidão.
Mas te confesso,
Doeu muito,
Porém valeu a pena,
Mesmo assim,
Pois, quem me beijou com tanto enlevo outrora,
E me fez mulher,
Quem sabe,
Também não me esqueceu
E um dia voltará pra mim!
Então,
Uma lágrima, por certo,
Me tomará de novo,
Não de tristeza,
Nem de desespero,
Mas de alegria por saber
Que em tuas andanças
Por este mundo afora
Não encontraste
Em nenhum lugar
Alguém que te beijasse
Igual a mim!!!

