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segunda-feira, 13 de novembro de 2023

Por que meninas estão menstruando cada vez mais cedo

A menarca é um processo natural e deve ser encarado como parte da vida da criança, que começa a entrar na adolescência. Quando isso acontece precocemente, a criança muitas vezes ainda não está preparada psicologicamente para a menstruação

POR NOTÍCIAS AO MINUTO - FOLHAPRESS) - Bárbara Winter tinha 7 anos e estava brincando na casa da avó quando menstruou pela primeira vez. Ela lembra de achar que "estava morrendo".

Ninguém havia explicado para ela o que estava acontecendo e como seu corpo mudaria daí em diante. Em 2004 não havia TikTok, Instagram e o acesso à internet era restrito. Suas amigas e seus parentes nunca tinham falado do assunto.

"Fui correndo na vizinha e ergui a saia na frente de todo mundo gritando que estava morrendo. Minha avó e minha mãe me explicaram que eu estava menstruada, e disseram que eu não devia ficar contando para todo mundo na escola."

A jovem chegou a ir em um endocrinologista e descobriu que de fato havia entrado em puberdade precoce, pois já apresentava características como aumento de seio e pelos pubianos antes dos sete anos. O tratamento para atrasar a menarca (primeira menstruação) começaria em maio de 2005, mas o sangramento chegou mais cedo, em dezembro de 2004, impossibilitando o início do tratamento com medicações que bloqueiam temporariamente os hormônios envolvidos no desenvolvimento puberal.

Segundo a endocrinologista pediátrica Ludmila Pedrosa, a primeira menstruação deve ocorrer a partir dos 10 ou 11 anos, e os primeiros sinais de puberdade aos 8 ou 9 -inicialmente com o surgimento do broto mamário. Antes disso, é considerado precoce.

Um estudo realizado na JAMA Pediatrics entre 1977 e 2013 confirma que, em dezenas de países, a idade da puberdade em meninas diminuiu cerca de três meses por década desde 1970.

Sonir Roberto Rauber Antonini, professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto e presidente do Departamento de Endocrinologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) explica que no começo do século 19 a menstruação era entre 14 e 17 anos de idade. Na primeira metade do século 20, caiu por perto dos 14 anos de idade. Em 1950, chegou a 12 e 13 anos.

De acordo com uma publicação do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente da Fiocruz, em cerca de 90% dos casos a puberdade precoce é um distúrbio sem causa definida. Entretanto, já se sabe que alguns fatores podem interferir para que isso aconteça.

Segundo a mesma pesquisa da JAMA Pediatrics, a obesidade é um fator importante, embora não explique totalmente a mudança.

Fatores como estresse, ambientes domésticos abusivos e maior exposição a produtos químicos com disruptores endócrinos também são hipóteses.

"O que definitivamente se sabe é que o excesso de peso adianta a puberdade sim. Uma das razões é que o tecido adiposo, a gordura, produz um hormônio chamado leptina, que atua no Sistema Nervoso Central e estimula o hipotálamo a começar a puberdade mais cedo", afirma Antonini.

Quais são os riscos de uma menstruação antes da hora?

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segunda-feira, 12 de junho de 2023

Primeira menstruação é tema de filme inteiramente falado em guarani

Rodado no Rio Grande do Sul, curta foi premiado em Pernambuco

POR NOTÍCIAS AO MINUTO - Um curta-metragem totalmente falado no idioma guarani, Um Tempo para Mim, está participando da Competição Latino-Americana 2023 - Mostra Ecofalante, em São Paulo, e será exibido na mostra competitiva do Festival Guarnicê de Cinema, em São Luís, no próximo dia 14. Dirigido e produzido por Paola Mallmann, o filme foi rodado na comunidade indígena Koenju, de São Miguel das Missões, Rio Grande do Sul.

O curta foi realizado por meio do Edital Audiovisual entre Fronteiras, promovido pelo Instituto Estadual de Cinema do Rio Grande do Sul, em parceria com o Instituto de Artes Audiovisuais do Governo da Província de Misiones, Argentina, que pedia temas relacionados às fronteiras dos dois países, onde a cultura guarani é muito presente.

Paola Mallmann disse à Agência Brasil que se baseou em uma temática que vem ganhando visibilidade e que, durante muito tempo, ficou cercada de tabus e silenciada, porque abordava a menstruação, a saúde e o ciclo reprodutivo feminino, fase que se inicia com a menarca, nome científico dado à primeira menstruação.

Em 2019, Paola participou de uma formação sobre educação menstrual com a pesquisadora colombiana Carolina Ramirez, que abordava a temática da primeira menstruação e dos cuidados com o corpo nas escolas.

“Eu já vinha de pesquisa e engajamento com comunidades indígenas, em especial guaranis, e conhecia um pouco também relatos das mulheres guaranis sobre os cuidados com o corpo e práticas sociais nesse momento da vida”. Paola decidiu, então, que este seria o tema central de seu curta, a partir do contexto da cultura guarani, “com o propósito de trazer luz sobre esse tema que é sensível e, também, bastante político”.

Atores

O elenco do filme, com atores que não são profissionais, é liderado pelas jovens guaranis Juliana Almeida Timoteo e Clarice de Oliveira.

“Eu escolhi realizar este curta a partir da comunidade Tekoa Koenju, de São Miguel das Missões, onde existe a presença bastante forte de realizadores indígenas do audiovisual. A proposta foi fazer com essa comunidade, que está mais próxima da fronteira”. A assistente de direção foi a indígena Luz Duarte,que foi muito importante porque o curta foi rodado na língua guarani. “A presença dela foi fundamental para isso acontecer”, disse Paola, que teve colaboração de outros realizadores indígenas no roteiro e na escolha do elenco.

Com produção executiva de Beto Rodrigues, o curta conquistou o Kikito de melhor trilha musical na categoria de curtas-metragens brasileiros, na última edição do Festival de Gramado, em 2022, e venceu ainda o prêmio de melhor direção no 16º Curta Taquary, em Pernambuco, este ano. O filme tem 21 minutos de duração e é assinado pela Opará Cultural e Galo de Briga Filmes.

Contunue Lendo em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2023-06/primeira-menstruacao-e-tema-de-filme-inteiramente-falado-em-guarani