quarta-feira, 4 de março de 2015

Raizeiros mantêm a cultura da medicina natural e popular acessível para todos

“DOUTORES” DA NATUREZA

09h56 | 04.03.2015

Produtos naturais ajudam a tratar qualquer mau estar e manter a saúde

Sônia de Almeida
Apesar da variedade e do entra e sai de gente, Sônia admite que o mercado não é mais o mesmo
FOTO: KID JÚNIOR
Os raizeiros são figuras conhecidas no Nordeste. Eles vendem sementesplantas,cascas e raízes medicinais e dão uma espécie de consultoria sobre a serventia e o preparo de cada tipo de especiaria. São verdadeiros doutores na medicina natural, deitam e rolam na hora de indicar remédios para diminuir o sofrimento de muitos.
Nos corredores do andar superior do Mercado São Sebastião, em Fortaleza, o olhar se perde no emaranhado de favos, cascas e raízes. O cheiro forte de malva, eucalipto, canela, tudo misturado vai nos revelando um mundo à parte, um mundo onde existe a cura que vem da terra. Os raizeiros mantêm a cultura da medicina popular, um verdadeiro tesouro passado por gerações.
A Dama de Ferro
Raizeira há 25 anos, Sônia de Almeida Teixeira, 39, tem contato com plantas medicinais desde criança. Seu pai foi Martinho Ribeiro Teixeira, o Pajé, pioneiro no comércio de plantas medicinais em Fortaleza. Martinho ficou conhecido pelas suas andanças para os lados do Norte. As amizades com os índios lhe rendeu o apelido e o nome da loja Toca do Pajé, no Mercado São Sebastião.
O movimento na Toca do Pajé é intenso. A loja recebe diariamente clientes em busca da solução para vários tipos de problemas de saúde, em meio a infinidade de produtos oferecidos. A lista é grande. Canela, para enxaqueca ou estômago; sucupira para artrite, artrose e reumatismo; casca da romã, para gastrite e garganta inflamada; raspa do juá, para caspa, cabelo e tosse.
Veja o vídeo dos raizeiros ensinando como usar plantas medicinais:



Heranças de um alquimista raizeiro
As garrafadas do Pajé são tradicionais e este ano completam 50 anos de produção. Elas prometem curar quase tudo, da gripe à impotência, nervosismo e qualquer fraqueza. Ou pelo menos a promessa no rótulo e a crença na cabeça.
A receita sempre foi o grande segredo de Martinho. Segundo a filha, foi ensinado por um Pajé da Amazônia, revelado apenas uma vez por Martinho para esposa Marilene, a responsável pela continuação da produção das garrafadas. É preciso muita habilidade e cuidado para preparar a maceração de plantas.
“A receita foi repassada só para minha mãe. Ninguém mais se arrisca a preparar. É um trabalho muito delicado, complicado e demorado. Eu não me arrisco. Se um dia a mãe faltar, as garrafadas vão deixar de ser produzidas”, revela Sônia.
Confira matéria na íntegra no Diário do Nordeste Plus, aplicativo para tablets do Diário do Nordeste.
FONTE: DN

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