terça-feira, 3 de março de 2015

Pesquisa mostra que moradores de favelas gastam R$ 68 bilhões por ano com eletrônicos

ECONOMIA
Uma pesquisa inédita revelou que esse grupo gastam cerca e R$ 5,5 mil por pessoa, ao ano, com objetos de consumo

Graciela Alvarez (graciela.alvarez@redebahia.com.br)
Atualizado em 03/03/2015 09:48:06

Aparelhos eletrônicos de ultima geração que levam conforto e comodidade e que antes pareciam inalcançáveis para os 12,3 milhões de moradores das favelas brasileiras estão hoje nos horizontes de consumo dessa parte da nossa população.
Uma pesquisa inédita feita em fevereiro pelo instituto Data Favela, com apoio do Data Popular e da Cufa (Central Única das Favelas), cujos dados preliminares foram divulgados ontem, revelou que esse grupo gasta aproximadamente R$ 68,6 bilhões por ano – o que representa uma média de R$ 5,5 mil por pessoa, durante o ano.
Moradora do Calabar, a comerciante Vaneide Santos exibe os dois celulares que comprou recentemente(Foto: Robson Mendes)
Para os próximos 12 meses, eles desejam comprar notebooks, tablets e TVs de plasma. O estudo entrevistou dois mil moradores de 63 favelas, localizadas em nove regiões metropolitanas, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Curitiba, Porto Alegre e Brasília e também no Distrito Federal.
De acordo com o presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-BA), Gustavo Pessoti, a elevação do consumo se deu graças ao aumento da renda média, alcançado com o crescimento real do salário mínimo e do emprego formal no país.
“Vivemos uma realidade de anos consecutivos de mudança no perfil de consumo do brasileiro. Aquilo que se chamou de revolução da nova classe média mudou padrões”, afirma. De acordo com os números da pesquisa, em 2013, 46% dos lares nas comunidades tinham TV de plasma, LED ou LCD.
Atualmente, 67% dos domicílios são equipados com esses aparelhos, que costumam ser cada vez maiores e ficam na sala principal. Essa é a realidade da aposentada Maria Raimunda dos Santos, moradora do Calabar, que ganhou de Natal, do marido, um televisor de LED com 43 polegadas.
“Em vez de ficar nas portas dos outros, a gente fica assistindo os programas, se informando”, diz. Mas a situação financeira na casa de Maria Raimunda não melhorou só agora. Ela conta que, desde 2010, as coisas ficaram mais fáceis.
“Foi nessa época que trocamos a nossa TV pequena e velha por uma de LCD de 32 polegadas”. Ela lembra que adquiriu o primeiro televisor, de tubo e com 20 polegadas, há 15 anos, com muito sacrifício. “A gente chegava no mercado e comprava só uma cebola, um tomate, um pimentão. Fizemos uma caixinha durante 13 meses para comprar aquela TV”. 
Outros bens  
O levantamento também aponta para o aumento da posse de outros bens de consumo como máquina de lavar, carros e motos em comparação à pesquisa de 2013. Atualmente, 75% das casas em favelas têm máquina de lavar roupas, que  eram 69% em 2013. A dona de casa Maria dos Anjos, 58, ainda não tem a dela. Mas, por pouco tempo, pois reforma a casa e estuda um lugar para o aparelho.
Graças às facilidades na hora do pagamento - que está mudando por conta do atual cenário econômico, a comerciante Vaneide Santos Costa conseguiu equipar sua casa e satisfazer as vontades da filha. Com o dinheiro do pequeno comércio, que fica em frente à Base Comunitária no Calabar, ela comprou, no ano passado, uma TV de LCD de 32 polegadas, um computador e dois celulares com acesso à internet.
“Trabalho de domingo a domingo para ter o mínimo de conforto. Divido tudo em dez vezes e vou pagando”, comenta. A TV custou R$ 1 mil.
Carros
O estudo realizado pelo Data Favela mostra que, no ano passado, 24% dos moradores de favelas adquiriram carro, contra 20% no ano anterior. Em relação à posse de motocicletas, foram 14% em 2014 – 1 ponto percentual a mais que os 13% do levantamento feito em 2013.
A pesquisa apontou ainda que os moradores das comunidades não querem parar de consumir. Nos próximos 12 meses, planejam comprar outros itens, principalmente notebook, tablet e TV de plasma.
Esse é o caso do motoboy Marcos Silva, morador do Bate Facho. “Apesar do meu celular ter acesso à internet, não consigo ficar lendo muito tempo. A vista fica cansada”, relata ele, que planeja comprar um tablet ainda este mês. “Sou um pobre ousado. Quero um Samsung Galaxy Tab 4, que custa cerca de R$ 1 mil. Trabalho para isso”, completa. 

FONTE: CORREIO

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